Cruz del Condor, no Cânion de Colca, é o Cânion mais profundo do planetal. Localizado no Peru, a atração é procurada por turistas que desejam ver os gigantes condores. Não quiz compará-los a abutres, mas achei que a foto, de minha autoria, meio que ilustrava algumas coisas q quero dizer…
Não quero parecer insensível ou “rebelde sem causa”, mas essas tragédias cotidianas – como o último caso da menina seqüestrada pelo ex-namorado na Grande São Paulo ou da criança atirada da janela pelo próprio pai – me irritam profundamente e, com o perdão da expressão, me dão no saco.
Não pelo fato em si, que, como todo caso policial, é de arrepiar os cabelos de qualquer um (quem sabe até dos setoristas que cobrem polícia… :p). Talvez me irrite a exagerada e completamente manipulada comoção e/ou revolta popular.
Mas o que me tira do sério é a desconstrução da realidade pela imprensa e a construção de uma nova, justamente para atender aos interesses dos veículos. Uma realidade moldada de acordo com as necessidades de cobertura, manipulada para gerar a reação que os veículos desejam e, assim, manejar, também, os dados do ibope. Afinal, tudo é guerra.
É inconcebível que a imprensa seja reincidente, porém absolvida pela Justiça, pelo povo e por outros poderes, como o policial.
Passei essa semana na casa da minha avó e, aqui, o som ambiente era o da TV ligada 24 horas no seqüestro. Maior crime que o do garoto mal-amado que passou 4 dias com a ex-namorada como refém foi o da imprensa, cúmplice do possível assassinato da garota.
O caso do seqüestro de Eloá, na minha opinião, se assemelha muito ao caso de Sandro, aquele menino de rua sobrevivente da chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, que, num assalto mal sucedido, acabou seqüestrando um ônibus, o 174, por horas, até ser assassinado no camburão à caminho da delegacia.
Ambos os casos tiveram o desenrolar manipulado pela transmissão 24 horas.
As câmeras hoje não poupam os espectadores nem os atores. Elas estão nos camburões, nas ambulâncias, na porta dos hospitais. Pais, filhos, avós, netos, sobrinhos, tios, papagaio, cachorro… a família unida em torno da TV no horário nobre ganha, de sobremesa, imagens de violência, sangue e morte.
Durante todo o seqüestro, a TV veiculava imagens ao vivo do local. Como eles esperam que a polícia aja se o seqüestrador está acompanhando cada passo da operação de resgate????
Neste último caso me chamaram a atenção dois momentos do Broadcast da imprensa: num primeiro, a emissora mostrava imagens ao vivo do local enquanto ouvíamos a voz dum “especialista” que comentava justamente sobre a atuação da imprensa e defendia que a transmissão dificultava o trabalho da polícia.
O segundo e mais esdrúxulo dos casos eu não presenciei. Foi comentado por uma fonte segura (:p)… uma dona-de-casa. Num desses programas da tarde (justamente para donas-de-casa, em que a apresentadora entope as espectadoras com os últimos babados da Caras e com propagandas irritantes de cosméticos e produtos para o lar), durante um bom tempo, em entrevista exclusiva, o seqüestrador falava a todo o país sobre seu sofrimento e sobre a atuação da polícia.
As negociações pararam para que o seqüestrador pudesse dar uma entrevista á TV?!?!?! É a tentativa de solucionar o conflito em detrimento da transmissão 24 horas?!?!
No chamado “maior seqüestro deste tipo na história do país”, seqüestrador e polícia suspenderam as negociações para uma entrevistazinha?!?!?!?
É inconcebível que a imprensa saia incólume de mais uma dessas? A Polícia não toma uma atitude em relação a esse broadcast? A Justiça é permissiva?
Será possível que os Poderes do Estado não queiram tomar uma atitude que certamente seria aclamada como censura pelos grandes meios?
Que fique claro! Não defendo a censura. Defendo limites! O jornalismo é um serviço público. Uma emissora de TV tem uma concessão pública e, como tal CONCESSÃO, esse serviço deve ser regulamentado.
Na minha opinião, especialmente a TV já extrapolou os limites do que admissível, do que é relevante para o povo e, pior, extrapolou os limites de sua atuação e está interferindo no trabalho de outros poderes, reconstruindo uma realidade e cometendo crimes contra cidadãos e contra os direitos sociais, como no caso de Sandro.
A espetacularização da tragédia, no caso de Sandro e Eloá, foi crucial para o final ainda mais trágico.
A espetacularização da tragédia certamente influenciou a atuação da polícia, determinou a condenação popular dos réus e é provável que determine o tipo de condenação do último réu pela Justiça.
A espetacularização da notícia garantiu ibope às grandes emissoras de TV e retirou dos noticiários um espaço imenso que poderia ser muito melhor aproveitado e que poderia ser ocupado com informações realmente relevantes, de interesse da sociedade, de garantia da cidadania, de denúncia, de reflexão, enfim, um espaço que poderia e deveria ter realizado um serviço à sociedade.
Afinal, o que o caso da menina seqüestrada no ABC traz de diferente para a minha vida?
Em que isso me garante cidadania?
Horas e horas de massante e irrelevante cobertura pela mídia num país desproporcionalmente desigual como o nosso agrava ainda mais os desafios para o desenvolvimento, uma vez que a informação importante e levada de forma correta às pessoas é um serviço público e um direito social.
Já que estamos tratando de espetáculo, deixo aqui três sugestões de filmes, dois de ficção e um documentário, que mostram justamente como a imprensa, esse Quatro Poder, tem a pretensão de desconsiderar os outros 3 anteriores e o poder maior da sociedade em detrimento de sua soberania.
A tirania da mídia não é novidade e não é exclusividade do Brasil. Porém, não é por isso que não pode deixar de ser combatida, até hoje e em todos os lugares.
Vale a pena ver:
O Quarto Poder- Costa Gravas;
Ônibus 174 – de José Padilha, o diretor do blockbuster nacional Tropa de Elite;
Na montanha dos Abutres- Billy Wilder. O filme é antigo, nome original Ace in the Hole, com Kirk Douglas no papel de um abutre jornalista que adia o resgate de um operário preso numa mina para vender mais jornais.











A televisão é um meio interessante e poderoso, porém sofre de limitação temporal, ou seja, não é possível assistir algo que já passou, a não ser em detrimento de espaço de outro programa.
Uma solução técnica, que reduzisse ou eliminasse essa limitação agiria de forma determinante (acredito eu) na melhora do conteúdo disponível para a população.
Uma internet com multicast.
bla bla bla;
Ei, Daniiiiiiiiiiii! Donde estás?
Corazón, vale a pena ver tb o Estamira, que o padilha é produtor e o Marcos, que é produtor do Ônibus, dirige. Olha o link ai: http://www.estamira.com.br/
Beeeijos, dona Sumida! Volta logoooo!