A VIAGEM DE IDA
(já é uma aventura à parte, por isso me dei a liberdade de não ir direto ao assunto. Mas se por curiosidade, preguiça ou qualquer outro motivo você preferir saber única e exclusivamente do tema principal, perca a vez, pule três casas e vá direto para “O Camping”)
O dia começou cedo. O ônibus saía às 6 da matina de Parnaíba, no Piauí, onde fiz o passeio pelo Delta. Levaria mais de duas horas para chegar a Tutóia, já no Maranhão. A viagem, apesar de interestadual, não era muito diferente dos trajetos urbanos (com exceção da poltrona que era acolchoada e do preço- R$ 13): poeirenta, com inúmeras paradas; gente entrando e saindo, gente em pé, gente dormindo em pé. Um barato! Ao menos para aqueles que, atraindo olhares curiosos pelo visual quase gringo, vivenciam tudo pela primeira vez. Além do mais, é tão bom fugir das rotas turísticas…
Chegando a Tutóia a experiência ficava ainda melhor. De lá até Barreirinhas, cidade ponto de apoio para conhecer os Lençóis, só de Toyota, conhecida por mim como pau-de-arara. Os sacolejos eram intermináveis apesar das três horas de duração (e de um custo de R$ 15). Mais uma vez, o carro abarrotado de gente, muambas e bagagens (no meu caso, mochila). E mais uma vez, era gente subindo e descendo, gente pegando carona, gente levando e entregando encomendas, gente, gente e mais gente. O que é curioso: pessoas alegres e descontraídas, apesar da viagem rotineira, quente e repleta de sacolejos; e pessoas indiferentes às paisagens bucólicas da região. E aqui faço um parêntese, pois a beleza do local exige isso… No horizonte, céu azul e pastos verdes. Dunas brancas cobertas por uma vegetação rasteira. Bois, cabritos, porcos. Ranchos com casas de pau-a-pique. E a Toyota cruzando córregos e riachos.
Ao desembarcar em Barreirinhas fomos intensamente assediados por um sujeito que se dizia “guia freelancer”, conhecido como Panda, e que, na sua insistência e apesar de nossa relutância, acabou sendo nosso “guia” o passeio inteiro (Ah! Digo “nosso” porque viajava com Ben, um australiano que conheci no Delta do Parnaíba. Ir para Lençóis era um sonho antigo e estava do lado, logo ali no Maranhão… peguei carona!). Rodamos muito para achar uma pousada boa e barata. Mas fomos imensamente recompensados por um local simples, limpo e quase “dentro” do Rio Preguiça. Os quartos ficavam num corredor a céu aberto que desembocava numa varanda em frente ao rio. E tínhamos uma canoa à disposição. Por isso, além de relaxar na rede ou nas cadeiras na beira do rio, o resto do dia rendeu um passeio de canoa no fim da tarde e outro, à noite (tendo Ben e Panda como timoneiros)!
No dia seguinte fizemos o tour pelo Rio Preguiça. A lancha nos pegou na pousada. Sim, a lancha! Sim, na pousada! Isso assim que acabei de tomar meu café da manhã tendo o rio no horizonte.
O CAMPING
Acampar em Lençóis? Como assim? Pode? Na teoria e a julgar pela cara do dono da agência de turismo (que desferiu um olhar mortal e de profunda censura a Panda, autor da idéia), poder não pode não. Mas parece ser prática comum entre gringos que desejam explorar mais a fundo os 155 mil hectares do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, e seus 110 mil hectares de dunas, 70 quilômetros de praia e aproximadamente 135 mil lagoas (segundo Panda).
Para isso, fretamos uma Toyota com motorista e “guia” por R$ 300 divididos por dois. Fomos eu e o colega australiano, ambos querendo escapar dos passeios de meio dia oferecidos pelas agências: um para Lagoa Bonita, por R$50, e outro, Lagoa Azul, por R$ 40 (nomear essas lagoas é uma mera questão de referência geográfica, pois mesmo as anônimas são igualmente belas).
Partimos às 4 da tarde, logo após o tour pelo Rio Preguiça. Nos 30 quilômetros que percorremos dentro do parque, nem sinal de areia ou lagoa. Novamente me vi num pau-de-arara cruzando córregos e adentrando por uma mata repleta de pés de babaçu. O trajeto contou com duas paradas: uma para roubar melancias, protagonizada por Maciel, o outro “guia”, amigo de Panda; e outra, na casa de seu Constantino, um dos moradores do local e que iria preparar a janta- uma galinha caipira escolhida pelo colega da Austrália.
Não existe estrutura para acampamento. Banehiro? Mato. Água? Bem, são 135 mil lagoas… Mas é bom levar a sua água mineral e comida para o café da manhã. Panda e Maciel improvisaram o acampamento na área que é a entrada para Lagoa Bonita e onde há quiosques de moradores do Parque que vendem artesanato durante o dia.
Até esse ponto, a única duna que vi era um rastro branco coberto por mato em frente ao acampamento.
Mas foi só subir essa ladeira para me deslumbrar com o visual- a minha frente, 180° de um tapete verde à perder de vista. Foi só girar num ângulo parecido que tudo o que via eram dunas brancas salpicadas por lagoas azulzinhas. E o melhor: tudo praticamente só para mim! Com exceção dos membros da nossa “comitiva”, o resto era só natureza. Só lamento que o dia estivesse nublado, pois pegar o pôr-do-sol nesse paraíso seria indescritível.
Após correr duna acima e duna abaixo até tombar na água e nadar ao anoitecer, fomos jantar. Seu Constantino nos recebeu com fartura. Farofa, mandioca, arroz, feijão e, é claro, Giselda, a galinha caipira que deu sua vida para nos alimentar, por isso, nada mais justo do que batizá-la e dedicar-lhe um minuto de silêncio em sua memória, homenagem nada respeitada por meus colegas de acampamento.
Jantamos sob o olhar atento de Seu Constantino que, sentadinho em seu canto, observava se apreciávamos a comida ou precisávamos de alguma coisa. Juntou-se a ele a sua esposa que, ao fim da janta, nos ensinou a bordar com palhas de Buriti. Gente simpática, simples e de vida pacata cuja diversão é observar o movimento dos turistas e tirar daí o seu sustento. O jantar custou R$ 40 reais, pagos pelos dois turistas, mas degustado por todos os membros da comitiva. Gastamos uns outros trocados com gorjeta voluntária, refrigerante e cachaça, esse último para fazer um “agradinho” aos 3 membros da comitiva acima citada (os dois “guias” e o motorista) e para confraternizar à luz do farol da Toyota ouvindo a mesma música de Bob Marley no celular de Maciel a noite toda.
Muito do mesmo de Bob Marley depois era hora de mergulhar novamente na lagoa. Apesar da noite nublada, a fraca luz da lua iluminava nosso trajeto e dava mais emoção na hora de descer correndo a duna e saltar n’água sem ter a menor idéia se o que vem à frente é realmente água ou areia escondida pelo breu.
Na manhã seguinte ainda pudemos desfrutar das lagoas “particulares”. Foi só quando partimos para outro ponto do parque, a Lagoa Azul, é que nos deparamos com os turistas, alguns com latas de cerveja na mão e forró no ouvido. Bom, cada um na sua (desde que recolham o seu lixo!). E, afinal, é só caminhar uma duna ou duas para conseguir mais uma lagoa exclusiva.
O mais incrível dessa intensa e extraordinária experiência é imaginar que não conheci nem 10% dos Lençóis Maranhenses. Há oásis no meio do deserto de dunas onde moram famílias quase isoladas do mundo. Para chegar lá, segundo Panda e Maciel, podemos fazer um trekking de seis dias. Haja preparo físico e resistência para agüentar o solão de rachar e a marcha na areia! Mas tenho certeza de que é recompensador. Fica para a próxima vez…



















Oieee…to indo quarta-feira pra Sao Luis e de la direto pra Barreirinhas..vc poderia me passar o nome dessa pousada que ficou …tb quero algo barato e limpo..vou sozinha e tb afim de aventura… grata, eloete
Olá Eloete!
O nome da Pousada era Brisa Mar. Ficava a uns minutos de caminhada da praça principal… vc precisa seguir uma rua longa até o fim. Ficava ao lado direito de quem vem da Praça… do lado do Rio. E ficava colada em outras pousadas.
Negocie preço!
Na época (baixa temporada e há um ano) paguei 35 reais pra ficar num quarto sozinha e com café da manhã incluso.
Boa sorte!
Espero que aproveite bastante!
E obrigada pelo comentário!
Hey nice photo of me on top
Shame my portuguese is so crap I dont understand
…pôxa, realmente é de endoidecer…….beautiful