Todo ano, quase meio milhão de mulheres morrem na América Latina em decorrência de complicações pós-aborto. Calcula-se que a prática é a quarta causa de morte materna no país. Segundo estudo, em 2005, cerca de 200 mil mulheres foram hospitalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de tentativas de aborto. Ontem, dia 7, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados rejeitou proposta de descriminalização do aborto.
A decisão ocorre um mês após denúncia do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfêmea) de que no Mato Grosso do Sul cerca de 10 mil mulheres estão sendo chamadas para depor na polícia porque praticaram aborto entre 1999 e 2001.
Punir a mulher não é a forma de se discutir a questão e muito menos reduzir essa prática; punição essa que ocorre não apenas com o indiciamento e conseqüente prisão, mas essa punição e a criminalização do aborto cerceiam o direito de ir e vir e ferem os direitos dessas mulheres.
Antes de se pautar a discussão com bases morais e religiosas é preciso pensar no tema como questão de saúde pública. Além de punidas com a criminalização e conseqüente preconceito e pré-julgamento da sociedade, as mulheres que abortam podem ser punidas com a mortalidade materna.
Outra coisa- uma pergunta que sempre faço: fala-se da criança durante a gestação. Mas, alguém pensa na vida dessa criança após o nascimento? Acredito que, para tomar tal decisão, a mulher tem de não desejar a gravidez a tal ponto que se submete a procedimentos arriscando a própria vida. Para tanto, não seria a criança tão indesejada que o seu nascimento seria motivo de desgosto e motivo para uma vida sem amor materno?
Às vezes não… a mulher pode ter o filho a contra-gosto e se apaixonar perdidamente pela maternidade. Já vi isso acontecer! Mas, na minha opinião, o ponto crucial da questão é esse: DIREITO!
Sou mulher, apoio o aborto, mas não consigo me imaginar numa situação dessas. Não sei como agiria e me dói imaginar ter de recorrer a tal procedimento. Mas gostaria de ter o direito de escolher se, algum dia, passar por tal situação.










Nossa, só no Brasil mesmo. Só tem carola na política. Os que não são, tentam defender a visão de uma suposta maioria ignorante, cegada pela religião.
Direitos humanos (não a entidade, mas a esperança utópica) mandam lembranças.
Dani, vc disse certo. Com certeza a questão é de direito do indivíduo de decidir sobre seu próprio destino. Daqui a pouco vão dar visitação pra estuprador, desse jeito. É um absurdo a sociedade querer cercear esse direito da mulher de decidir sobre sua própria vida e destino.É extremamente atrasado isso.
Blérg.