A única coisa que separa a Idade Média dos dias de hoje no Norte e Nordeste do Brasil, na minha opinião, é uma mera questão de espaço/tempo que, no caso do tempo, como disse Einstein, é relativo.
Sei lá… Pensar no feudalismo foi a única coisa que, além da revolta, me veio à cabeça quando fiquei sabendo da absolvição pela Justiça do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária norte-americana e naturalizada brasileira Dorothy Stang.
Ela era uma importante militante na defesa da reforma agrária, do meio ambiente e dos direitos humanos, especialmente no Pará, estado que lidera as estatísticas de violação dos direitos humanos e de assassinato de trabalhadores rurais.
Em fevereiro de 2005 Stang foi morta com seis tiros em Altamira, no Pará. Um de seus executores, o pistoleiro Rayfran das Neves, também foi julgado e sentenciado a 28 anos de prisão em regime fechado.
Dizem que as constantes mudanças de versão apresentadas por Rayfran foram cruciais para o veredicto favorável ao fazendeiro. Esperemos o recurso do Ministério Públlico…
O que é claro, para mim, ao menos, é a força do coronelismo nessa região abandonada pelos governantes e pela justiça e corrompida pelo capital. Voltando a minha comparação com o feudalismo, em vez de ser apoiado pela Igreja, que desta vez se opõe terminantemente ao abuso de poder desse senhores (“Aleluia, grória a Deus!”), os coronéis contam com a proteção da Justiça para manter sua própria ordem.
O Sakamoto em seu blog trouxe elementos mais concretos e mais relevantes que meus meros devaneios.
Mas quero só deixar registrada aqui minha grande preocupação: casos como este só mostram que a Reforma Agrária no Brasil não passa de um sonho muito, mas muito distante. E isso é o pior de tudo!









