(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
É sempre a mesma pendenga. É como naquela brincadeira de criança “passa, passa a batata quente” (“passa, passa sem parar!”)… quando esquenta, ninguém segura! A coisa entrou em ebulição e, ao invés de se jogar água fria e tentar remediar a situação, a “parte interessada” bota é lenha na fogueira e quer apontar um culpado. Eu me refiro à questão da dengue, afinal, por que não pegar carona nesse último sucesso de bilheteria da mídia brasileira, além de, não só embalar meu primeiro post, como, também, e espero que ao contrário da maioria, levantar questões relevantes sobre o tema?
De quem é a culpa afinal? Do governo federal? Estadual? Municipal? De São Pedro, como afirmou de forma irônica (e criminosa) um jornalista (ou rrrêepórter, diria minha cara chefe) em um noticiário da (está extinta!) Radiobrás? Do Zé Povinho personificado na figura do vizinho problema e seu vasinho sem areia ou sua caixa d´água descoberta? Ah! Tenho certeza de que a culpa (como lembram dramática e sensacionalísticamente muitos repórteres públicos e privados) é daquele vetorzinho safado de patas malhadas! Afinal, por traz de toda desgraça há sempre um parasita, minúsculo e voador, ou de terno e gravata, ou de toga, ou de microfone ou gravador na mão… e por aí vai.
A dengue é uma questão de saúde pública e, portanto, de gestão pública. Isso é fato. E é aí que começa a tal pendenga… Governo joga pra governo que joga pra sociedade que joga pra governo que joga pra São Pedro e pro mosquito. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, diz que o “combate à dengue é uma tarefa da sociedade”, mas, reafirmando o que afirma o próprio Ministério, assume que “é competência do Estado dar ao cidadão informação de qualidade, educação e condições para que a mobilização da sociedade tenha resultados práticos”.
Mas não é aí que quero chegar… ao privilegiar a queima do Judas em detrimento da busca por soluções para se resolver o problema, aqui entro na onda e me contradigo (provisoriamente) ao querer crucificar (justamente, na minha opinião), nossa querida e dócil imprensa. Ora! Enquanto o pau come e o povo morre, a nossa cara mídia [em especial a Globo & Cia, esta (seja privada ou pública) que adora macaquear o que aquela faz] se apossa da (perdoe-me o drama irônico) desgraça alheia para usá-la como palanque.
Longe de mim querer defender essa corja (que, por mim, deve arder no fogo do inferno Ade infinitum), mas daí apontar como ÚNICO culpado o prefeito da capital fluminense, Cezar Maia, pela epidemia que se alastra no Rio de Janeiro, já é demais. Não só porque retira a responsabilidade dos outros (Estado e Federal), como reduz essa [que como disse é uma questão de política (pública)] a uma pendenga eleitoreira.
A lua-de-mel do presidente Lula com o governador carioca Sérgio Cabral não é nova, mas (perdoe o clichê), o clima esquenta a cada dia e, assim, quanto mais unidos, mais força os dois ganham. E a imprensa entra na jogada, seduzida pelo poder de instituir e destituir que ela mesma criou, ao derrubar ministros e gente forte e promover suas próprias figurinhas para esses cargos (e outros), graças a ela, vagos. Vide enxurrada de matérias que especulam o nome de Dilmão para substituir Lula no Planalto e, agora, os holofotes se viram para a história do dossiê da ministra-chefe da Casa Civil e, desta forma, seu nome como sucessor de Lula vai se apagando e saindo de cartaz.
Explico-me: e a observação pertinente não é minha, mas de uma amiga. Lá vem a Rede Globo e suas filiadas (não necessariamente ligadas a essa empresa) fazer campanha para Sérgio Cabral e querer lançar seu candidato à ministro da Saúde: o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. Lembrando que este coordenou a intervenção federal nos hospitais municipais do Rio em 2005.
(Possíveis?) Soluções:
Eu sempre defendo o papel social da imprensa, sua função de levar a informação para, junto com a sociedade, cobrar dos responsáveis a solução para os problemas. Usar um problema grave e, muitas vezes, fatal, como pano de fundo para campanhas (quem sabe até presidencial) é, no mínimo, criminoso, anti-ético e desumano.
Caberia à imprensa, na minha opinião, MOSTRAR os envolvidos e possíveis responsáveis pelo problema. NUNCA julgar e determinar, como é feito. Até mesmo porque, dessa forma, centraliza-se a discussão. Ok, ok! Sei bem que a situação no Rio é gravíssima. Mas vale lembrar que, em 2007, houve epidemia de dengue em Mato Grosso do Sul, Paraná e, é claro, Rio de Janeiro. E volto a afirmar, o governo municipal tem SIM culpa no cartório.
Além do mais, alguém prestou atenção no último boletim sobre a dengue do Ministério? Lá diz, SIM, que o estado do Rio de Janeiro foi o que apresentou, em 2008, maior número de casos da doença: 43.523. Mas, em comparação ao ano anterior, o estado é o sexto na lista dos que registraram crescimento nos índices de casos da dengue. Amazonas lidera disparado: o crescimento foi de quase 1000%!!!!! Rondônia chegou a 484%, Sergipe, 617%! Ah, mas não dá pra comparar, né?!? Não dá mesmo! A única comparação cabível é que os governadores desses estados são todos da base aliada. Temos as variáveis de tamanho das cidades, densidade demográfica, além do fato de que os dados são repassados ao Ministério pelas secretarias de Saúde que podem ou não notificar de forma precisa. Dê uma olhada no arquivo e tire sua própria conclusão.
Falar de aumento grotesco no número de casos registrados da doença na região Norte levanta um ponto interessante…: a dengue tipo 4, a mais perigosa e que, segundo o Ministério da Saúde, não existe no Brasil, com esse aumento, não poderia entrar? Já que esse tipo é comum na Venezuela e Colômbia… tão pertinho do norte do nosso país…
Repito. Em minha opinião, deve-se, antes de mais nada e de apontar culpados, verificar as variáveis e buscar soluções. Epidemia de dengue não é novidade (a primeira epidemia documentada ocorreu em 1981, segundo o ministério) e a reincidência não se justifica.
E importar médicos lá é solução? Como se não bastasse a importação nacional, agora querem trazer de Cuba…!?!! Viva Fidel!
Outra coisa: de acordo com o INESC- Instituto de Estudos Socioeconômicos, “ o orçamento de 2008 traz um corte da ordem de 24,9% nos recursos destinados ao combate à dengue. Segundo levantamento realizado pelo Inesc, o Programa Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue do Ministério da Saúde tinha um orçamento inicial de R$ 18,7 milhões e na lei sancionada ficou com R$ 14,04 milhões. Foram preservados dos cortes os compromissos financeiros, como pagamento de juros da dívida e superávit primário”.
Só um parênteses… achei que a imprensa só buscasse assuntos de saúde pública na falta de assuntos no Congresso, como foi o caso, em pleno recesso parlamentar de janeiro, o súbito interesse da mídia na Febre Amarela. Morria um era notícia para semanas.
Voltando à vaca fria (e aproveitando para puxar a sardinha para o meu lado), antes dessa crise se instaurar, a Multimídia da Agência Brasil fez um infográfico mostrando a relação de doenças como dengue e malária e a falta de saneamento básico. http://www.agenciabrasil.gov.br/media/infograficos/2007/11/27/26112007.swf/view
Garantir o saneamento básico não é a única solução, mas é, certamente, uma das principais formas de se erradicar o problema. E os governos sabem disso. O próprio presidente Lula já disse: “para cada real aplicado em saneamento básico você economiza três [reais] na saúde. (..) eu acho que se economizar um já vale a pena a gente fazer, porque significa que a saúde preventiva é importante porque fica mais barato você evitar que a pessoa fique doente do que você cuidar da pessoa depois que ela ficou doente”.
Essa fala é velha, mas não me saiu da cabeça desde então. E sempre quando penso nessa questão da dengue e de outras doenças cujos vetores utilizam a água para se proliferar, lembro dessa fala do presidente e me questiono: se ele já sabe disso por que não se mexe? Por que não se mexem os governos edtaduais e municipais? E todo o resto?
Concluo: infelizmente, mesmo que seja para o mal, o único que desempenha seu papel nessa história é o mosquito. Por isso, embalada pela mídia, lanço aqui MEU candidato: Vossa excelência: o aedes aegypti.











Dani! Me mata de orgulho. Muito bom saber que ainda existem jornalistas, como vc, que preferem ir mais fundo nas questões e sair do lugar comum da imprensa, (toda ela), mostrando que a solução é tão simples que ninguém vê, hehe.
Parabéns pelo blog, e valeu a rrrreferrência, kkkkkkk…
Bjs
Grande Lala… isso sim é jornalismo Publico e não da enfase a picuinhas de quem é a culpa num casi desses.
Acaba que vira uma grande novela…
Mas as más linguas diz que o publico gosta mesmo é de novela…
Desvaneada.. na proxima encarnação você vai ser porteira da Globo. escreve isso
Prezada colega, MUUUIITTTO bons seus comentarios sobre a DENGUE… Nao eh possivel que, tantos anos depois, cerca de 20 anos passados, caiamos nos mesmos buracos… Esta semana vi uma entrevista do ministro da Saude na TV e ele dizia que se tem que esquecer o culpado. Agora eh arregacar as mangas e curar a populacao, tentando diminuir a incidencia do mosquito e a prolifercacao da doenca. Lindo. Mas se a midia soh malha o Maia e esquece que a populacao TEM SIM, sua parcela de culpa, como ensinar? Como mostrar que nos precisamos, SIM, MATAR O MOSQUITO? Seja borra de cafe, pneus lacrados, o importante eh se cuidar e cuidar de quem amamos. Esse seria o papel da midia…. Jornalismo PUBLICO…. Ainda mais aqui, no Brasil, onde os canais de TV e Radio sao concessoes do Estado…
Wev´s,
O papel da mídia é muito mais amplo do que só apontar culpados e divulgar formas de prevenção. É aí que mora a questão.
Agora, falar em jornalismo no SBT??? Se o jornalismo global já não pode ser considerado como um “serviço”, o que dirá os supostos programas noticiosos dessa máquina de “quem quer dinheeeeiirrooo” do Sílvio Santos cujos destaques são as pernas de fora das apresentadoras..!?!! (que eu nem sei mais se são mostradas…)
Srtª Devaneada
Por vezes o meu imaginário não consegue acompanhar as linhas editorias de muitas mídias…
Mas compreendo o que passa a minha volta, vejo o que as pessoas falam nos corredores, nos restaurantes nas doces leituras…
A Dengue é assunto de interesse nacional, a culpa na verdade é de todo mundo. Salvo o mosquito que ta lá cumprindo seu papel num ciclo ecológico, e olhe lá que nem pode ser já que o mundo ta doido…
Você fala da mídia, vc fala da Globo e C.&… Qual seria o papel da mídia? Apontar o culpado pelo descaso ou seria ensinar e mostrar para todos como se faz a prevenção?
Saber quem é o culpado é ate interessante, assim saberemos quem não condenar nesse pais das maravilhas…
Uma coisa é certa, enquanto a dengue mata, o mundo gira.. nisso a linha editorial vai priorizar aquilo que é mais importante… (ou o que ela acha que é de importante) O que o povo acha interessante não é importante nem pro governo.. quanto mais para os tablóides…
Ninguem se reporta ao SBT quando vai falar de midia… Eu acho esse amor pela rede globo tão Platonico
Parabéns pelo primeiro Post