Na montanha dos abutres

18 10 2008

Cruz del Condor, no Cânion de Colca, é o Cânion mais profundo do planetal. Localizado no Peru, a atração é procurada por turistas que desejam ver os gigantes condores. Não quiz compará-los a abutres, mas achei que a foto, de minha autoria, meio que ilustrava algumas coisas q quero dizer…

 

Não quero parecer insensível ou “rebelde sem causa”, mas essas tragédias cotidianas – como o último caso da menina seqüestrada pelo ex-namorado na Grande São Paulo ou da criança atirada da janela pelo próprio pai – me irritam profundamente e, com o perdão da expressão, me dão no saco.

Não pelo fato em si, que, como todo caso policial, é de arrepiar os cabelos de qualquer um (quem sabe até dos setoristas que cobrem polícia… :p). Talvez me irrite a exagerada e completamente manipulada comoção e/ou revolta popular.

Mas o que me tira do sério é a desconstrução da realidade pela imprensa e a construção de uma nova, justamente para atender aos interesses dos veículos. Uma realidade moldada de acordo com as necessidades de cobertura, manipulada para gerar a reação que os veículos desejam e, assim, manejar, também, os dados do ibope. Afinal, tudo é guerra.

É inconcebível que a imprensa seja reincidente, porém absolvida pela Justiça, pelo povo e por outros poderes, como o policial.

Passei essa semana na casa da minha avó e, aqui, o som ambiente era o da TV ligada 24 horas no seqüestro. Maior crime que o do garoto mal-amado que passou 4 dias com a ex-namorada como refém foi o da imprensa, cúmplice do possível assassinato da garota.

O caso do seqüestro de Eloá, na minha opinião, se assemelha muito ao caso de Sandro, aquele menino de rua sobrevivente da chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, que, num assalto mal sucedido, acabou seqüestrando um ônibus, o 174, por horas, até ser assassinado no camburão à caminho da delegacia. 

Ambos os casos tiveram o desenrolar manipulado pela transmissão 24 horas.

As câmeras hoje não poupam os espectadores nem os atores. Elas estão nos camburões, nas ambulâncias, na porta dos hospitais. Pais, filhos, avós, netos, sobrinhos, tios, papagaio, cachorro… a família unida em torno da TV no horário nobre ganha, de sobremesa, imagens de violência, sangue e morte.

Durante todo o seqüestro, a TV veiculava imagens ao vivo do local. Como eles esperam que a polícia aja se o seqüestrador está acompanhando cada passo da operação de resgate????

Neste último caso me chamaram a atenção dois momentos do Broadcast da imprensa: num primeiro, a emissora mostrava imagens ao vivo do local enquanto ouvíamos a voz dum “especialista” que comentava justamente sobre a atuação da imprensa e defendia que a transmissão dificultava o trabalho da polícia.

O segundo e mais esdrúxulo dos casos eu não presenciei. Foi comentado por uma fonte segura (:p)… uma dona-de-casa. Num desses programas da tarde (justamente para donas-de-casa, em que a apresentadora entope as espectadoras com os últimos babados da Caras e com propagandas irritantes de cosméticos e produtos para o lar), durante um bom tempo, em entrevista exclusiva, o seqüestrador falava a todo o país sobre seu sofrimento e sobre a atuação da polícia.

As negociações pararam para que o seqüestrador pudesse dar uma entrevista á TV?!?!?! É a tentativa de solucionar o conflito em detrimento da transmissão 24 horas?!?!

No chamado “maior seqüestro deste tipo na história do país”, seqüestrador e polícia suspenderam as negociações para uma entrevistazinha?!?!?!?

É inconcebível que a imprensa saia incólume de mais uma dessas? A Polícia não toma uma atitude em relação a esse broadcast? A Justiça é permissiva?

Será possível que os Poderes do Estado não queiram tomar uma atitude que certamente seria aclamada como censura pelos grandes meios?

Que fique claro! Não defendo a censura. Defendo limites! O jornalismo é um serviço público. Uma emissora de TV tem uma concessão pública e, como tal CONCESSÃO, esse serviço deve ser regulamentado.

Na minha opinião, especialmente a TV já extrapolou os limites do que admissível, do que é relevante para o povo e, pior, extrapolou os limites de sua atuação e está interferindo no trabalho de outros poderes, reconstruindo uma realidade e cometendo crimes contra cidadãos e contra os direitos sociais, como no caso de Sandro.

A espetacularização da tragédia, no caso de Sandro e Eloá, foi crucial para o final ainda mais trágico.

A espetacularização da tragédia certamente influenciou a atuação da polícia, determinou a condenação popular dos réus e é provável que determine o tipo de condenação do último réu pela Justiça.

A espetacularização da notícia garantiu ibope às grandes emissoras de TV e retirou dos noticiários um espaço imenso que poderia ser muito melhor aproveitado e que poderia ser ocupado com informações realmente relevantes, de interesse da sociedade, de garantia da cidadania, de denúncia, de reflexão, enfim, um espaço que poderia e deveria ter realizado um serviço à sociedade.

Afinal, o que o caso da menina seqüestrada no ABC traz de diferente para a minha vida?

Em que isso me garante cidadania?

Horas e horas de massante e irrelevante cobertura pela mídia num país desproporcionalmente desigual como o nosso agrava ainda mais os desafios para o desenvolvimento, uma vez que a informação importante e levada de forma correta às pessoas é um serviço público e um direito social.

Já que estamos tratando de espetáculo, deixo aqui três sugestões de filmes, dois de ficção e um documentário, que mostram justamente como a imprensa, esse Quatro Poder, tem a pretensão de desconsiderar os outros 3 anteriores e o poder maior da sociedade em detrimento de sua soberania.

A tirania da mídia não é novidade e não é exclusividade do Brasil. Porém, não é por isso que não pode deixar de ser combatida, até hoje e em todos os lugares.

Vale a pena ver:

O Quarto Poder- Costa Gravas;

Ônibus 174 – de José Padilha, o diretor do blockbuster nacional Tropa de Elite;

Na montanha dos Abutres- Billy Wilder. O filme é antigo, nome original Ace in the Hole, com Kirk Douglas no papel de um abutre jornalista que adia o resgate de um operário preso numa mina para vender mais jornais.





Nós é pobre, mas se diverte

16 10 2008

Eu, como todo bom (????) jornalista, vislumbro um lado positivo dessa criseaiada toda nos mercados mundiais…

Por razões, obviamente, extremamente distintas daquelas dos meus “felow americans” companheiros de labuta.

Na verdade, a comparação é mera desculpa para espinafrar essa corja.

Salvo diversas exceções, sei que a grande maioria dos despreparados e incompetentes “repórteres” se delicia com uma “tragédia” de proporções mundiais.

Afinal, uma crise como essa garante grande tranqüilidade aos editores, já que determina, automaticamente, manchetes por vários dias e ainda poupa-os do trabalho de estruturar mais e melhor o noticiário… Gente! (em se tratando de um tele ou radiojornal) É só enfiar 5, 7, 10 minutos  de ladainha de “especialistas” “analisando” as conseqüências de tamanha “tragédia”.

Oba! Happy Hour garantido hoje, hein!?

Infelizmente, já testemunhei tais comportamentos e me aperta o coração imaginar o regozijo de supostos jornalistas ao fechar um jornal mais cedo por que a entrevista com o “especialista” e o vivo gigantesco do repórter já garantiram 10 minutos do jornal.

Quanto a mim, durmo de consciência limpa. Como jornalista.

Como cidadã (e jornalista), claro que me preocupo com a alta do dólar no meu bolso e com as demissões em massa que os banqueiros estão doidos para desencadear.

Mas, que é bom, ou melhor, ótimo, ver a cara de tacho dos neoliberais anunciando pacotes “intervencionistas” no mercado, aaahhh! Isso, como dizem os publicitários do Mastercard, não tem preço!

Afinal, “Há coisas que o dinheiro não compra”.

Pena que a verba beneficie, como de praxe nesse sistema, apenas os grandes em detrimento dos pequenos. E a suposta abertura não passe de algo raso e de pouca possibilidade de mudança.

Daniel Pádua comentou entrevista interessantíssima do Chomsky.
Cito ele, que cita ele, que cita outro… (????)

“(..) enquanto o público não ganhar controle efetivo das principais instituições da sociedade -financeiras, industriais, mídia etc.- a política permanecerá como “uma sombra dos negócios sobre a sociedade”. Naturalmente, esse é o tipo de negócio que o mundo prefere. E a sua dominância sobre os sistemas doutrinários e políticos é tão enorme que a tirania privada é chamada de “democracia”.
Já a ameaça de haver democracia real é chamada de “ameaça da tirania”.”





Infografia reconhecida!

9 10 2008

Justo qual?!?!
Aquela que a gente insistiu, fez só e ainda buscou agregar áudio à parada!
Que orgulho!

A série de infos sobre dengue no site da Agência Brasil rendeu comentário no site Jornalistas da Web!

É , DE FATO, UMA HONRA TRABALAHAR COM MÁRIO MARCO E YASODARA!

Atóooro, Atóooro voçeix!





Mea culpa

9 10 2008

Caro leitor/internauta/blogueiro/etcetal,

Mil perdões pelo descaso, abandono e por ser tão relapsa para com vossas senhorias e para com este blog!

Não faltaram assuntos nem idéias!
O problema é que elas (as danadas!) sempre apareciam justamente nos momentos inoportunos…

E, pra ser sincera, dediquei meus esforços ao Flickr (aí do lado… saca minhas fotos!)

Mas, prometo:

Vou me esforçar e atualizar meus posts… não que alguém se interesse, mas, enfim!

Foi mal…

:(





Acampando nos Lençóis Maranhenses

22 05 2008

A VIAGEM DE IDA

(já é uma aventura à parte, por isso me dei a liberdade de não ir direto ao assunto. Mas se por curiosidade, preguiça ou qualquer outro motivo você preferir saber única e exclusivamente do tema principal, perca a vez, pule três casas e vá direto para “O Camping”)

O dia começou cedo. O ônibus saía às 6 da matina de Parnaíba, no Piauí, onde fiz o passeio pelo Delta. Levaria mais de duas horas para chegar a Tutóia, já no Maranhão. A viagem, apesar de interestadual, não era muito diferente dos trajetos urbanos (com exceção da poltrona que era acolchoada e do preço- R$ 13): poeirenta, com inúmeras paradas; gente entrando e saindo, gente em pé, gente dormindo em pé. Um barato! Ao menos para aqueles que, atraindo olhares curiosos pelo visual quase gringo, vivenciam tudo pela primeira vez. Além do mais, é tão bom fugir das rotas turísticas…

Chegando a Tutóia a experiência ficava ainda melhor. De lá até Barreirinhas, cidade ponto de apoio para conhecer os Lençóis, só de Toyota, conhecida por mim como pau-de-arara. Os sacolejos eram intermináveis apesar das três horas de duração (e de um custo de R$ 15). Mais uma vez, o carro abarrotado de gente, muambas e bagagens (no meu caso, mochila). E mais uma vez, era gente subindo e descendo, gente pegando carona, gente levando e entregando encomendas, gente, gente e mais gente. O que é curioso: pessoas alegres e descontraídas, apesar da viagem rotineira, quente e repleta de sacolejos; e pessoas indiferentes às paisagens bucólicas da região. E aqui faço um parêntese, pois a beleza do local exige isso… No horizonte, céu azul e pastos verdes. Dunas brancas cobertas por uma vegetação rasteira. Bois, cabritos, porcos. Ranchos com casas de pau-a-pique. E a Toyota cruzando córregos e riachos.

Ao desembarcar em Barreirinhas fomos intensamente assediados por um sujeito que se dizia “guia freelancer”, conhecido como Panda, e que, na sua insistência e apesar de nossa relutância, acabou sendo nosso “guia” o passeio inteiro (Ah! Digo “nosso” porque viajava com Ben, um australiano que conheci no Delta do Parnaíba. Ir para Lençóis era um sonho antigo e estava do lado, logo ali no Maranhão… peguei carona!). Rodamos muito para achar uma pousada boa e barata. Mas fomos imensamente recompensados por um local simples, limpo e quase “dentro” do Rio Preguiça. Os quartos ficavam num corredor a céu aberto que desembocava numa varanda em frente ao rio. E tínhamos uma canoa à disposição. Por isso, além de relaxar na rede ou nas cadeiras na beira do rio, o resto do dia rendeu um passeio de canoa no fim da tarde e outro, à noite (tendo Ben e Panda como timoneiros)!

No dia seguinte fizemos o tour pelo Rio Preguiça. A lancha nos pegou na pousada. Sim, a lancha! Sim, na pousada! Isso assim que acabei de tomar meu café da manhã tendo o rio no horizonte.

O CAMPING

Acampar em Lençóis? Como assim? Pode? Na teoria e a julgar pela cara do dono da agência de turismo (que desferiu um olhar mortal e de profunda censura a Panda, autor da idéia), poder não pode não. Mas parece ser prática comum entre gringos que desejam explorar mais a fundo os 155 mil hectares do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, e seus 110 mil hectares de dunas, 70 quilômetros de praia e aproximadamente 135 mil lagoas (segundo Panda).

Para isso, fretamos uma Toyota com motorista e “guia” por R$ 300 divididos por dois. Fomos eu e o colega australiano, ambos querendo escapar dos passeios de meio dia oferecidos pelas agências: um para Lagoa Bonita, por R$50, e outro, Lagoa Azul, por R$ 40 (nomear essas lagoas é uma mera questão de referência geográfica, pois mesmo as anônimas são igualmente belas).

Partimos às 4 da tarde, logo após o tour pelo Rio Preguiça. Nos 30 quilômetros que percorremos dentro do parque, nem sinal de areia ou lagoa. Novamente me vi num pau-de-arara cruzando córregos e adentrando por uma mata repleta de pés de babaçu. O trajeto contou com duas paradas: uma para roubar melancias, protagonizada por Maciel, o outro “guia”, amigo de Panda; e outra, na casa de seu Constantino, um dos moradores do local e que iria preparar a janta- uma galinha caipira escolhida pelo colega da Austrália.

Não existe estrutura para acampamento. Banehiro? Mato. Água? Bem, são 135 mil lagoas… Mas é bom levar a sua água mineral e comida para o café da manhã. Panda e Maciel improvisaram o acampamento na área que é a entrada para Lagoa Bonita e onde há quiosques de moradores do Parque que vendem artesanato durante o dia.

Até esse ponto, a única duna que vi era um rastro branco coberto por mato em frente ao acampamento.

Mas foi só subir essa ladeira para me deslumbrar com o visual- a minha frente, 180° de um tapete verde à perder de vista. Foi só girar num ângulo parecido que tudo o que via eram dunas brancas salpicadas por lagoas azulzinhas. E o melhor: tudo praticamente só para mim! Com exceção dos membros da nossa “comitiva”, o resto era só natureza. Só lamento que o dia estivesse nublado, pois pegar o pôr-do-sol nesse paraíso seria indescritível.

Após correr duna acima e duna abaixo até tombar na água e nadar ao anoitecer, fomos jantar. Seu Constantino nos recebeu com fartura. Farofa, mandioca, arroz, feijão e, é claro, Giselda, a galinha caipira que deu sua vida para nos alimentar, por isso, nada mais justo do que batizá-la e dedicar-lhe um minuto de silêncio em sua memória, homenagem nada respeitada por meus colegas de acampamento.

Jantamos sob o olhar atento de Seu Constantino que, sentadinho em seu canto, observava se apreciávamos a comida ou precisávamos de alguma coisa. Juntou-se a ele a sua esposa que, ao fim da janta, nos ensinou a bordar com palhas de Buriti. Gente simpática, simples e de vida pacata cuja diversão é observar o movimento dos turistas e tirar daí o seu sustento. O jantar custou R$ 40 reais, pagos pelos dois turistas, mas degustado por todos os membros da comitiva. Gastamos uns outros trocados com gorjeta voluntária, refrigerante e cachaça, esse último para fazer um “agradinho” aos 3 membros da comitiva acima citada (os dois “guias” e o motorista) e para confraternizar à luz do farol da Toyota ouvindo a mesma música de Bob Marley no celular de Maciel a noite toda.

Muito do mesmo de Bob Marley depois era hora de mergulhar novamente na lagoa. Apesar da noite nublada, a fraca luz da lua iluminava nosso trajeto e dava mais emoção na hora de descer correndo a duna e saltar n’água sem ter a menor idéia se o que vem à frente é realmente água ou areia escondida pelo breu.

Na manhã seguinte ainda pudemos desfrutar das lagoas “particulares”. Foi só quando partimos para outro ponto do parque, a Lagoa Azul, é que nos deparamos com os turistas, alguns com latas de cerveja na mão e forró no ouvido. Bom, cada um na sua (desde que recolham o seu lixo!). E, afinal, é só caminhar uma duna ou duas para conseguir mais uma lagoa exclusiva.

O mais incrível dessa intensa e extraordinária experiência é imaginar que não conheci nem 10% dos Lençóis Maranhenses. Há oásis no meio do deserto de dunas onde moram famílias quase isoladas do mundo. Para chegar lá, segundo Panda e Maciel, podemos fazer um trekking de seis dias. Haja preparo físico e resistência para agüentar o solão de rachar e a marcha na areia! Mas tenho certeza de que é recompensador. Fica para a próxima vez…





Bin Laden em Sampa e a “Volta do Caos Aéreo”

22 05 2008

Não ia entrar no mérito da “barrigada” da Globonews aqui (que anunciou a queda de um avião no centro de São Paulo quando, na verdade, era “apenas” um incêndio na loja), pois, afinal, o assunto já foi melhor discutido.

Mas queria só fazer uma breve observação quanto à importância de se APURAR as informações antes de veiculá-las na pressa e no intuito desesperador pelo furo. A Globo não se manifestou, mas cabeças rolaram certamente.

Esse é mais um exemplo da dimensão da irresponsabilidade dessa e de outras empresas de comunicação que retransmitiram a informação imediatamente. Aqui na redação onde trabalho o comentário que atraiu todos para frente da TV foi: “É o World Trade Center em São Paulo!”. Irônico aqui, mas possivelmente visto com seriedade em outros lugares. Isso eu tenho certeza.

Nesse pânico todo causado pela presença de Bin Laden em Sampa li algo que me tranqüilizou: “Ainda bem que o avião caiu numa fábrica de colchões!”. É meerrmão! Amortece a queda do avião e, aparentemente, dos irresponsáveis da Rede Globo!

Obs: Corrijam-me se estiver errada, mas o Observatório da Imprensa não deu nada mesmo???? As lentes do observatório devem estar bem sujinhas ou desfocadas para não ter visto o avião…

Obs 2: Ainda bem que o avião não caiu mesmo! Imagina! Termos de agüentar “A Volta do Caos Aéreo” por mais alguns infinitos meses…?!





Mais um retrocesso: a criminalização do aborto

8 05 2008

Todo ano, quase meio milhão de mulheres morrem na América Latina em decorrência de complicações pós-aborto. Calcula-se que a prática é a quarta causa de morte materna no país. Segundo estudo, em 2005, cerca de 200 mil mulheres foram hospitalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de tentativas de aborto. Ontem, dia 7, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados rejeitou proposta de descriminalização do aborto.

A decisão ocorre um mês após denúncia do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfêmea) de que no Mato Grosso do Sul cerca de 10 mil mulheres estão sendo chamadas para depor na polícia porque praticaram aborto entre 1999 e 2001.

Punir a mulher não é a forma de se discutir a questão e muito menos reduzir essa prática; punição essa que ocorre não apenas com o indiciamento e conseqüente prisão, mas essa punição e a criminalização do aborto cerceiam o direito de ir e vir e ferem os direitos dessas mulheres.

Antes de se pautar a discussão com bases morais e religiosas é preciso pensar no tema como questão de saúde pública. Além de punidas com a criminalização e conseqüente preconceito e pré-julgamento da sociedade, as mulheres que abortam podem ser punidas com a mortalidade materna.

Outra coisa- uma pergunta que sempre faço: fala-se da criança durante a gestação. Mas, alguém pensa na vida dessa criança após o nascimento? Acredito que, para tomar tal decisão, a mulher tem de não desejar a gravidez a tal ponto que se submete a procedimentos arriscando a própria vida. Para tanto, não seria a criança tão indesejada que o seu nascimento seria motivo de desgosto e motivo para uma vida sem amor materno?

Às vezes não… a mulher pode ter o filho a contra-gosto e se apaixonar perdidamente pela maternidade. Já vi isso acontecer! Mas, na minha opinião, o ponto crucial da questão é esse: DIREITO!

Sou mulher, apoio o aborto, mas não consigo me imaginar numa situação dessas. Não sei como agiria e me dói imaginar ter de recorrer a tal procedimento. Mas gostaria de ter o direito de escolher se, algum dia, passar por tal situação.





A Salvadora do Livramento

8 05 2008

Mocinha só no nome. Pois esse é o único vestígio de juventude nessa senhora de, provavelmente, 60 anos (não pergunto pois é indelicado, especialmente entre mulheres).

Dona mocinha é a única moradora e, portanto, “dona” da Ilha do Livramento, um pedaço de terra tombado como Patrimônio Histórico e Cultural ao lado de Alcântara, no Maranhão.

Em uma casa que busca parecer um quiosque de praia, dona Mocinha recebe os escassos turistas que se aventuram pela região. Ela conta com orgulho que pretende desenvolver um pólo de eco turismo na ilha. Seu treinamento para tal empreitada é acolher os aventureiros e oferecer-lhes um almoço caseiro, água, cerveja, refrigerante e, no meu caso, água de coco direto do pé (segundo a senhora, seu grande diferencial).

Dona Mocinha vive junto de seu filho de criação. Ela se vangloria de tê-lo tirado das drogas e dar-lhe vida nova. E diz que é por isso que ele o considera sua mãe. A senhora também garante que teve papel decisivo na vida de muitas moças no Rio de Janeiro e enfatiza um sotaque carioca ao falar sobre seux 25 anox no Rio. Diz que foi a “salvadora” de muitas garotas de programa que sonhavam em casar com gringos. Sua função seria, portanto, o de casamenteira, ao permitir que as moças fingissem ser vendedoras na loja que administrava. Ela relata que viajou “o mundo”! Suíça, Espanha, Inglaterra, tudo por conta dos casamentos que arranjou. Huummm-hummm!

A praia, apesar de quase deserta, não atrai pela beleza, mas sim pela proximidade com o município de Alcântara. O mar é cor de água barrenta e sua areia dá lugar à argila do mangue. Chegar ao local é a aventura. Não há transportes “credenciados”, mas sim canoas de pescadores e/ou moradores que saem ao mar para colher o almoço ou janta. Entrei em uma delas. O preço: R$ 1. No meio do caminho fizemos uma troca de embarcações e, me equilibrando para não cair n´água, pulei para uma canoa e me deparei com uma cesta enorme cheia de camarões! No caminho uma ótima surpresa: botos! Desembarquei em pleno mangue disfarçado de areia de praia. Pisar na argila molhada foi divertido até que a dita cuja se transformou em areia movediça e atolar até o joelho foi a única coisa que consegui alcançar. Após ser resgatada (e desatolada) por uns garotos nativos/pescadores segui desbravando a ilha. Em toda a extensão da praia, paus para rede de pesca. Inúmeros peixinhos que mais parecem lagartas (ou cobras) saltitam pela superfície da água. Caranguejos e siris se enfiam na areia a todo instante.

De repente, três cães latindo feito doidos avançam nos garotos/pescadores que corriam em frente. Eis que surge, como nos filmes, uma figura imponente de roupas surradas e cabelo grisalho, berrando ordens vãs aos cães assassinos.

Não acredito no potencial turístico do local, apesar da defesa apaixonada de dona Mocinha. E, pra ser sincera, torço para que seja este apenas um devaneio altamente despropositado dessa senhora. Que a ilha do Livramento continue quase deserta, a não ser por sua excêntrica moradora e seus freqüentes visitantes: a população de Alcântara, que encontra ali um local de descanso, de diversão e de fartura. Ambiente que garante diversão e comida na mesa.





Pintura Rupestre

8 05 2008

Nos confins do Maranhão, mais precisamente na Ilha do Livramento, perto de Alcântara, um achado fantástico surpreende o mundo da ciência! Uma descoberta revolucionária dá conta de desenhos impressionantes que intrigam os mais experientes arqueólogos.

Dias antes, uma turista à toa, na falta do que fazer, deixa a (também falta de) criatividade rolar solta e, como passatempo, desenha em rochas. A argila do local não poderia ser mais propícia. Uma verdadeira obra-prima!





Idade Média no Pará

7 05 2008

A única coisa que separa a Idade Média dos dias de hoje no Norte e Nordeste do Brasil, na minha opinião, é uma mera questão de espaço/tempo que, no caso do tempo, como disse Einstein, é relativo.

Sei lá… Pensar no feudalismo foi a única coisa que, além da revolta, me veio à cabeça quando fiquei sabendo da absolvição pela Justiça do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária norte-americana e naturalizada brasileira Dorothy Stang.

Ela era uma importante militante na defesa da reforma agrária, do meio ambiente e dos direitos humanos, especialmente no Pará, estado que lidera as estatísticas de violação dos direitos humanos e de assassinato de trabalhadores rurais.

Em fevereiro de 2005 Stang foi morta com seis tiros em Altamira, no Pará. Um de seus executores, o pistoleiro Rayfran das Neves, também foi julgado e sentenciado a 28 anos de prisão em regime fechado.

Dizem que as constantes mudanças de versão apresentadas por Rayfran foram cruciais para o veredicto favorável ao fazendeiro. Esperemos o recurso do Ministério Públlico…

O que é claro, para mim, ao menos, é a força do coronelismo nessa região abandonada pelos governantes e pela justiça e corrompida pelo capital. Voltando a minha comparação com o feudalismo, em vez de ser apoiado pela Igreja, que desta vez se opõe terminantemente ao abuso de poder desse senhores (”Aleluia, grória a Deus!”), os coronéis contam com a proteção da Justiça para manter sua própria ordem.

O Sakamoto em seu blog trouxe elementos mais concretos e mais relevantes que meus meros devaneios.

Mas quero só deixar registrada aqui minha grande preocupação: casos como este só mostram que a Reforma Agrária no Brasil não passa de um sonho muito, mas muito distante. E isso é o pior de tudo!